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A revolução digital na indústria de calçado

A revolução digital na indústria de calçado

25 Mar, 2025

Ação de Demonstração FAIST


A APICCAPS, o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP) e a MIND promoveram a Ação de Demonstração FAIST – Digital Shift Summit, no passado dia 13 de março, no WOW, em Vila Nova de Gaia. O evento contou com a participação de mais de duas centenas de pessoas ligadas à indústria do calçado e teve como tema central a revolução digital no desenvolvimento do produto.

Coube a João Maia, diretor-geral da APICCAPS, a abertura do Digital Shift Summit, que enalteceu o avultado investimento que está a ser feito transversalmente em todo o setor, destacando os projetos FAIST e BioShoes4All, que ascendem aos 100 milhões de euros.  Tendo em conta a importância da cooperação entre os industriais do cluster, João Maia referiu que “só através da partilha é possível tornar a indústria mais competitiva a nível internacional”. No final, o diretor-geral da APICCAPS, recordou ainda Paulo Martins, empresário e vice-presidente da APICCAPS, que morreu em fevereiro deste ano, como um nome incontornável para a indústria do calçado.

“O futuro constrói-se com evolução”
O presidente do IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação) abordou a conjuntura mundial e os desafios atuais imputados à globalização, que afetam as importações portuguesas, alertando que todos devem estar preparados para o presente e para o futuro. José Pulido Valente enalteceu o espírito de inovação e ambição do setor do calçado, referindo que “as circunstâncias atuais são incertas, mas ainda não são adversas” e que “a primeira sustentabilidade é a económico-financeira das empresas.

“Este aspeto colaborativo entre grandes e pequenas empresas, academia e indústria, com o apoio das políticas públicas e orientado para os resultados, parece-me o mais adequado para o período que estamos a viver”, afirmou o presidente do IAPMEI. “Vivemos uma época em que achávamos que já tínhamos encontrado os novos paradigmas: a revolução verde, digital, a circularidade da economia, a reciclagem são os desafios com que nos estamos a deparar”, começou por explicar. “E, de repente, percebemos que a globalização se transforma em mais tarifas, que os aliados podem não o ser, que a Europa não está tão segura. Temos de nos preparar…”.

“E este setor é o melhor exemplo, porque se confrontou com muitas dificuldades e soube-as ultrapassar com muito sucesso. Muitos dizem que o setor do calçado é um setor tradicional. Eu digo que não é um setor tradicionalista, pelo contrário é um setor inovador e não apenas ambicioso. E o futuro constrói-se não com revoluções, mas com evoluções. Para sobreviver no curto prazo, temos de capitalizar o que fazemos e fazer melhor. A evolução é essencial”.
As sessões temáticas do Digital Shift Summit iniciaram-se com a intervenção de Mark Dube (Columbia), que abordou a redução da amostra e a entrada rápida do produto no mercado, seguindo-se as apresentações de António Macedo (Softideia), Rui Mendes (Olifel) e Fillipe Ribeiro (JPM Industry), cujo tema se centrou na inovação dos sistemas de gestão da produção.

Entre o painel de especialistas estiveram ainda Alexandre Carneiro, da Abílio P. Carneiro & Filhos, que abordou a gestão de vários catálogos de uma perspetiva B2B,  José Augusto Santos, da Expandindustria, que se focou nas plataformas digitais para a comunicação, avaliação de desempenho e formação, Susana Caldas, da Nimco, que falou da personalização no calçado ortopédico, Vera Teixeira, da Celita, que evidenciou os sistemas de produção offline, e Milton Duarte, da Procalçado, que destacou a renderização como alternativa à fotografia.

Antes do encerramento, a ‘mesa-redonda’, que teve a moderação de Paulo Gonçalves, da APICCAPS, contou com os contributos de Gonçalo Costa (CTCP), Ricardo Conceição (Shoelutions), André Ribeiro (Celita) e Ricardo Costa (Rodiro), que abordaram e debateram a digitalização e a sua importância na indústria do calçado.
Luísa Correia, diretora-geral do CTCP, enalteceu a “tarde de partilha, reflexão e, acima de tudo, inspiração sobre o futuro da indústria portuguesa do calçado e dos artigos de pele”. Destacou ainda que “hoje, mais que nunca, ficou claro que a transformação digital não é uma opção – é um caminho incontornável para garantir um crescimento sustentável e fortalecer a nossa posição no mercado global”.

O projeto FAIST – A Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica
A ação de demonstração Digital Shift Summit realizou-se no âmbito da agenda mobilizadora FAIST (Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica), que surgiu com o objetivo de assegurar junto das empresas uma maior eficiência produtiva e maior rentabilidade, e ainda melhores condições de trabalho e uma maior flexibilidade na capacidade de resposta às exigências do mercado.

O projeto, que envolve várias empresas do cluster, foi lançado com o apoio do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pretende tornar a indústria portuguesa do calçado uma das mais modernas do mundo. Florbela Silva, do CTCP, coordenadora do projeto FAIST, detalhou a influência desta agenda mobilizadora no setor, salientando que a execução se situa, à data, nos 75%. Referiu ainda que o projeto “vai criar 300 postos de trabalho, 100 dos quais altamente qualificados”, o que desmistifica a alegoria de que esta agenda provocará desemprego.

Já Cristiano Figueiredo, do CTCP, um dos responsáveis pela implementação prática do FAIST, garante que as inovações que são apresentadas “não são apenas tecnologias, mas soluções concretas que impulsionam novos modelos de produção, maior personalização e processos mais inteligentes”. Evidenciando ainda que “a inovação não acontece isoladamente, exige colaboração entre empresas, universidades e centros tecnológicos”, uma vez que “só através da partilha de conhecimento e experiências” é possível “consolidar um ecossistema dinâmico e preparado para os desafios do futuro”.

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